Você pode escolher a sua medalha de duas maneiras:
Logo que a idéia das medalhas com os gols do Pelé se consolidou, numeradas de 1 a 1283 (uma para cada gol feito) e em bronze, prata e ouro, logo uma questão surgiu: qual eu gostaria de ter? Vi gols fantásticos e inesquecíveis, mas na maioria eu não estava no estádio. Gosto de futebol, vi o Pelé jogar muitas vezes pela TV e em apenas duas fui ao jogo. Uma no Pacaembú (Santos 1 x Corinthians 1) e outra no Maracanã (Brasil 1 x Paraguai 0 pelas eliminatórias da Copa de 70) e em ambas o “crioulo” fez gol.
Sou Corinthiano, casado duas vezes, 2 filhos em cada casamento. Nos idos de 71, noivo, comprei os ingressos para um Corinthians e Santos a pedido da Vivian, (depois minha esposa) que não ligava muito para o futebol, mas achava o Pelé mais que o máximo. Compartilhava uma sensação geral de que ele garantiria a vitória, em qualquer circunstância. Depois da Copa de 70, este era o sentimento geral. Fomos ao jogo e ficamos nas numeradas, entre uma maioria de corinthianos. Pelé, cobrando falta , faz o primeiro gol. A Vivian pula e vibra de alegria no meio de dezenas de mal humorados da “fiel”. No segundo tempo, na minha memória e lá pelo fim do jogo, o Rivelino empata, também cobrando falta. Enquanto a torcida eufórica comemorava, percebo a Vivian em prantos e imóvel, O jogo termina e ela continuou bem triste por bom tempo. É forte a lembrança deste jogo. Ela já se foi, mas meus filhos conhecem esta história.
No “Maraca” o Brasil x Paraguai foi muito especial. Recorde de público ( mais de 200.000 pessoas),onde o canto do hino nacional fez a estrutura tremer. Partida difícil, a bola não entrava até que ficou pingando na área e o negão encheu o pé e meteu no gol. Comemoração incrível. Entre estes dois gols, decidi pelo Corinthians.
Ele é emblemático e faz parte não só de minhas memórias “futebolísticas”, mas também é componente de minha equação emocional. Comprarei as 3 medalhas (ouro,prata e bronze) e farei um evento familiar para sorteá-las entre meus filhos.
Acrescento um detalhe: no diploma que acompanhará cada medalha, vou dar um jeito de conseguir uma assinatura do Rivelino (ele estava presente nos dois jogos) além da do Pelé e do Barbosa (Presidente da Casa da Moeda). Vou agregar valor e transformar as peças em objetos valiosos de colecionador. Além disto, quando eu olhar o diploma na parede, ou a medalha em seu display, lembrarei da causa da saúde infantil e da generosidade, além da energia e alegria de um gol. E ficarei feliz por ter uma boa história para contar.
José Álvaro da Silva Carneiro