Varicela: vacinar é mais econômico em termos de saúde pública, além de evitar hospitalização e risco de morte

Pesquisas em desenvolvimento

Sai mais barato fazer a vacinação pública e gratuita contra a varicela (em algumas regiões do país conhecida como catapora) do que tratar as crianças depois que elas já estão doentes. E, o que é ainda mais importante, a vacinação pode evitar mortes de crianças contaminadas, o que ocorre particularmente no caso de crianças que já tenham algum outro tipo de doença. A pesquisa avaliou as complicações da varicela em crianças e os custos do tratamento para estimar o custo/benefício da implantação da vacina contra a doença em Curitiba.

São notificados anualmente em Curitiba aproximadamente 10 mil casos de varicela, com maior incidência na faixa de 1 a 4 anos de idade. A taxa de hospitalização é de aproximadamente 0,75%.

Entre 2006 e 2008, 201 pacientes menores de 18 anos foram internados na capital paranaense, com tempo médio de permanência no hospital de sete dias. A complicação mais comum associada à doença foi a infecção cutânea bacteriana secundária (59% dos casos). Seis pacientes faleceram. Os custos médios por paciente internado foram de R$ 2.191,90 (atendimento hospitalar) e R$ 77,10 (atendimento ambulatorial). Cada internamento por varicela pelo SUS representou déficit de aproximadamente R$ 1.900 para o hospital, e os custos anuais estimados da varicela e suas complicações em Curitiba totalizaram no período R$ 1.394.725,20.

A conclusão a que se chegou no estudo é que, apesar de a evolução da doença em crianças ser geralmente benigna, a varicela pode resultar em hospitalizações, complicações graves e óbitos. Considerando todos os custos da doença e comparando-os com os preços das vacinas disponibilizadas (R$ 65 ou R$ 31) multiplicados pelo número de crianças a serem vacinadas, a vacinação com uma ou duas doses representaria um custo-benefício favorável (ICB>1) para Curitiba.